E quem resiste a um café quentinho? A bebida originária da região da Etiópia, no Leste da África, ganhou o mundo no século XVII e é considerada a bebida símbolo da Era Industrial. Suas propriedades estimulantes e de aumentar a concentração e foco o tornaram hábito diário tanto de intelectuais e filósofos quanto de operários das fábricas. O Brasil se tornou o maior produtor mundial dos grãos de café no século 19 e mantém o posto até hoje. Em 2014, 2.720.520.000 kg de café foram produzidos no nosso país.

Nos últimos anos, o brasileiro tem descoberto que café não é tudo igual. Embora nosso clássico cafezinho forte, bem torrado, passado no filtro de pano ou papel, seja ótimo para o dia a dia, novas variedades de café e métodos de torra, moagem e preparo têm mostrado que o céu é o limite quanto ao sabor e características de um bom café, e assim como vinhos, uísques e cervejas, ele tem sido degustado por especialistas que identificam suas maiores sutilezas, e surgiu até a profissão de barista, que designa quem é especializado em extrair o melhor dos grãos.

Se você quer se aprofundar nesse universo de cores, aromas, sabores e cafeína, vamos dar umas dicas introdutórias para variar o cafezinho de cada dia e desfrutar ao máximo esse momento especial do dia, a hora do café.

Escolhendo seu café

Antes de mais nada, é preciso entender que existem os mais diversos tipos de café e cada um agrada mais a um tipo de paladar. Algumas variedades são mais suaves e com aromas mais sutis outras tem características mais rústicas e sabores mais fortes. Há duas grandes variedades de café que são vendidas no mercado internacional.

  • Arábica é o mais conhecido e responde por três quartos da produção mundial. É uma planta mais delicada que rende grãos de sabor mais refinado e pouco amargo. Os chamados “cafés gourmet” são da variedade Arábica, que tem algumas subdivisões, divididas em dois grupos:

Grupo I: reúne os cafés de sabor mais delicado e fino e, consequentemente, mais caros.

    • Bebida estritamente mole: Considerada a melhor bebida do café, apresenta aroma muito agradável, é intensamente suave e bastante doce, podendo ser ingerida naturalmente sem adição de açúcar.
    • Bebida mole: Esta apresenta as mesmas características da bebida estritamente mole, só que a suavidade e a doçura são menos intensas.
    • Bebida apenas mole: Apresenta pouca suavidade e doçura; percebe-se leve adstringência no fundo.
    • Bebida dura: Apresenta um travo na língua, transmitindo uma sensação de secura e aspereza na boca, como se tivéssemos comendo uma fruta verde com cica.

Ainda dentro da variedade Arábica, temos as bebidas fenicadas de sabores químico-medicinal, enquadradas como do Grupo II, classificadas de acordo com a intensidade desse sabor:

    • Riada: Apresenta um leve aroma e sabor químico medicinal, que lembra gosto de remédio.
    • Rio: Tem aroma e sabor químico medicinal mais acentuados que a bebida riada.
    • Rio zona: O aroma e o sabor químico medicinal dessa bebida são muito fortes, podendo ser percebidos com muita facilidade.
  • A outra grande variedade de café é da espécie Coffea Canephora, conhecida como Robusta ou Conilon. Esse café apresenta um gosto rústico bem característico, que se assemelha ao sabor do milho torrado. Atualmente, os degustadores vêm adotando três faixas de avaliações para essa variedade, de acordo com a intensidade deste gosto característico. Muitos cafés vendidos ao consumidor são blends, que misturam grãos de Arábica e Robusta.

Outros fatores influem na qualidade e sabor do café que você vai degustar. Então lembre-se sempre dessas dicas na hora de comprar o seu pacote.

  • Compre sempre café certificado: o selo da ABIC (Associação Brasileira da Indústria de Café) é a garantia de pureza do café. Além dele, procure certificações de regiões produtoras, de manejo sustentável da lavoura e da variedade de café. Os certificados Utz Certified, Rainforest Aliance e da Associação Brasileira de Cafés Especiais são os de maior credibilidade.
  • Prefira cafés mais “jovens”. Quanto maior o tempo entre a torra e chegar na sua xícara, mais sabor do café se perde. Por isso, prefira cafés produzidos perto da sua cidade e atente sempre à data de validade. Quanto mais distante, melhor!
  • Atente para o grau de torra do café. Quanto mais torrado for o grão, mais forte será o café. O grau de torrefação geralmente está indicado na embalagem.
  • Armazene em potes herméticos. O contato com o ar oxida o café. Por isso, use sempre potes hermeticamente fechados, que não deixam o ar entrar, e se possível os que permitem retirar o ar de dentro do pote, criando um vácuo.
  • Use água filtrada ou mineral para evitar a contaminação de sabores. E também tenha o cuidado de não deixar a água ferver, pois isso diminui a quantidade de oxigênio na água, que influi na intensidade do sabor do café.

  • Se puder, moa o café em casa. Comprar o café em grãos e usar um moedor doméstico para moer na hora é um investimento que vale a pena. Existem vários modelos de moedores elétricos ou manuais. Lembre-se: o café passado no coador deve ser mais bem moído do que o espresso ou feito na cafeteira moka ou french press. E falando nisso….

Preparando seu café

O método de preparo do café também define muito do seu sabor final, e a dica é experimentar todos pra ver o que mais agrada seu paladar, além de permitir a maior variedade de sabores e aromas. Os mais comuns são:

  • Filtragem (coador): É o clássico e mais utilizado no Brasil, quando você coloca o pó no filtro e joga, devagar, água quente por cima. A dica é “escaldar” com água quente o filtro de papel antes de por o café, para tirar o gosto do papel. Coloque o pó sem compacta-lo e vá colocando um fio de água quente, primeiro nas beiradas e depois no centro. Se o filtro for de pano, lave apenas com água, sem sabão nem outros produtos de limpeza. Uma medida ideal para o café não muito forte nem muito fraco é de 80g a 100g de café por um litro de água (5 a 6 colheres de sopa), mas você pode variar de acordo com seu gosto.
  • Percolação (Moka): é a famosa cafeteirinha italiana, muito usada em toda a Europa. Você põe a água no compartimento inferior da cafeteira e o pó de café no meio, e fecha bem. Quando a água ferver ela “sobe” e o café sai na parte de cima. Esse método deixa o café com gosto de torrado mais forte, por isso, se você não gosta de café muito forte, é ideal usar pós que foram pouco moídos e com grau de torra mais suave.
  • Prensagem (French Press): uma cafeteira de vidro onde você poe o café, adiciona a água e usa a tampa, que tem uma prensa com êmbolo, que você aperta pra baixo para pressionar o pó no fundo da cafeteira e retirar a bebida por cima. Esse método é ótimo para estrair os óleos e componentes do café, deixando-o muito aromático, mas ainda suave
  • Pressão (Espresso): o café espresso ganha cada vez mais adeptos, pelas cafeteiras tradicionais com caldeira, que deixa a água sob pressão e libera sobre o pó pra um café bem forte e cremoso, ou as novas máquinas que usam cápsulas.

Saboreando o café

Agora que você tem uma bela xícara de café à frente, é hora de degusta-lo! Dicas básicas são:

  • Preparar o café sempre na hora que vai toma-lo, pois quanto mais tempo passar o café pronto, mais sabor vai se perder.
  • Se possível, não adoçar. É algo que você precisa se acostumar se sempre tomou café com açúcar ou adoçante, mas com o tempo você vai perceber mais as sutilezas dos sabores se o café não for adoçado.
  • Use xícaras de porcelana, que não passam sabor e mantém a temperatura do café mais constante.
  • Tome um copinho d’água antes do café para limpar o paladar e apreciar melhor os sabores.
  • Ao tomar, deixe o café “passear” pela sua boca para sentir os aromas, e inspire pros aromas subirem para o nariz. Aproveite esse momento!

Agora você sabe o básico necessário para ser um conhecedor de café! Vá testando e curtindo cada cafezinho preparado em casa ou pedido nos cafés e restaurantes e desenvolva seus conhecimentos sobre a bebida preferida do mundo!

 

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